terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

BENTO XVI TRANSFERE MONSENHOR PARA A COLOMBIA

''CASTIGO''
Papa transfere monsenhor após vazamento de dossiê sobre Vati Leaks
Ettore Balestrero foi nomeado embaixador para a Colômbia; jornais afirmam que relatório confidencial revelou investigação de sistema de corrupção, sexo e tráfico de influência

iG São Paulo
O papa Bento 16 transferiu um oficial de alto escalão da Secretaria de Estado do Vaticano para a Colômbia em meio a uma avalanche de especulações na mídia italiana sobre o conteúdo de um relatório confidencial.
O monsenhor Ettore Balestrero foi nomeado subsecretário do Ministério das Relações Exteriores do Vaticano, em 2009. O papa Bento 16 o indicou nesta sexta-feira (22) como embaixador para a Colômbia. O arcebismo Antonio Camilleri substituirá Balestrero no cargo.
Jornais italianos há dias têm trazido reportagens sobre o suposto conteúdo de um dossiê, que teria sido apresentado pro Bento 16 em dezembro. O relatório, produzido por três cardeais, traz a investigação sobre a origem do escândalo dos vazamentos, os VatiLeaks .
O escândalo surgiu no ano passado depois que documentos que estavam na mesa do papa foram publicados. O mordomo do papa foi condenado em outubro, mas, em dezembro, teve o perdão do pontífice.
 
O Vaticano se recusou a comentar as reportagens sobre o suposto dossiê que teria levado Bento 16 a renunciar. O próprio papa justificou sua saída do cargo por não ter mais vigor físico e mental .
Balestrero era chefe da delegação da Santa Sé para o conselho europeu contra lavagem de dinheiro e financiamento de atos terroristas (Moneyval). O Vaticano se submeteu a uma avaliação do Moneyval no intuito de melhorar sua reputação no mundo financeiro.
O Vaticano passou no teste na primeira tentativa em agosto e o Moneyval disse que a Santa Sé fez um grande progresso em um curto espaço de tempo. Mas a Santa Sé recebeu notas ruins por suas agências de vigilância e seu banco, fonte da maior parte dos escândalos envolvendo o Vaticano.
Alguns documentos que vazaram em meio ao escândalo do Vatileaks trouxeram a discussão do nível de transparência financeira da Santa Sé. O Vaticano agora trabalha para cumprir as recomendações da Moneyval antes da próxima rodada de avaliação. Lombardi disse que o processo da Moneyval simplesmente seria tocado por outra pessoa com a partida de Balestrero.
De acordo com o La Repubblica, a decisão do papa em deixar o cargo se deu após o recebimento de uma investigação realizada por três cardeais - o espanhol Julián Herranz, o eslovaco Jozef Tomko e o italiano Salvatore de Giorgi - em que é revelada uma suposta trama envolvendo corrupção, tráfico de influências e sexo na Santa Sé.
Com 300 páginas, o texto, entregue a Bento 16 em dezembro, se refere a uma espécie de troca de favores homossexuais dentro do Vaticano. "Pela primeira vez, a palavra homossexualidade foi lida em voz alta no gabinete de Ratzinger", diz a jornalista Concita de Gregorio, que assina o texto, sem revelar de que forma teve acesso ao documento.
"Tem sido dito que era uma hipótese por trás da renúncia do papa, mas acho que precisamos respeitar a consciência (de Bento 16)", disse Herranz a Radio24 na semana passada. "Certamente, há divisões e sempre houveram, assim como violentas contraposições sobre linhas ideológicas. Isso não é novidade, mas sim, têm peso."
Com AP

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