terça-feira, 20 de março de 2012

VAZAMENTO DE PETRÓLEO NA BACIA DE CAMPOS PARECE QUE É INCONTROLÁVEL

Um promotor brasileiro pretende alegar nesta semana que a Chevron e a Transocean não deveriam ter perfurado o poço de águas profundas que vazou em novembro, segundo mostraram documentos legais, indicando esperadas acusações criminais que poderiam desacelerar a corrida para desenvolver a vasta riqueza petrolífera offshore do Brasil. 

O procurador Eduardo Santos Oliveira, do Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes (RJ), afirmou hoje à agência Reuters que a Chevron não tem como parar o vazamento, resultado de uma rachadura em um reservatório, ocorrida enquanto a empresa tentava "indevidamente atingir a camada pré-sal", As alegações fazem parte dos relatórios da polícia e dos procuradores usados para montar acusações criminais contra a petroleira Chevron, a Transocean e 17 de seus executivos e funcionários. Oliveira afirmou, em entrevista à Agência Estado, não descarta pedir a prisão preventiva dos funcionários da Chevron. 

Os documentos deram a visão mais detalhada até agora sobre as possíveis causas do vazamento de petróleo na costa do Brasil. Eles também descrevem por que os promotores estão buscando acusações criminais por aquilo que observadores da indústria notaram ser um vazamento relativamente pequeno, em um poço que foi aprovado por reguladores brasileiros para perfuração. 

O procurador em Campos acusa a Chevron de "ter botado uma pressão maior que a suportada e ter cavado além do que foi autorizado". "Eles assumiram um risco premeditado", afirmou. "O vazamento não é mais no poço, é na rocha reservatória, e não tem como ser controlado. 

Não se sabe a capacidade. É uma cratera no solo marinho". "Estamos em território desconhecido", disse Cleveland Jones, geólogo especialista em petróleo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. "Queremos melhores condições ambientais? Sim. Será que o ambiente é realmente afetado? Não. Se você aplicou o mesmo padrão para toda a indústria, você provavelmente terá que desligá-lo e nós não estamos aplicando os mesmos padrões para os outros." 

Autoridades no sábado ordenaram que o presidente da Chevron no Brasil, George Buck, e outros 16, entreguem seus passaportes e permaneçam no país. Denúncias criminais podem ser feitas na quarta-feira, disse um porta-voz da promotoria. Um juiz brasileiro determinará se haverá prosseguimento do caso. 

O caso criminal pendente, junto com um processo ambiental de pedido de indenização recorde, de 20 bilhões de reais, que o promotor lançou contra a Chevron, mostram uma maior preocupação sobre a segurança na exploração do petróleo offshore do Brasil, na esteira do desastre de derramamento de petróleo de 2010 da BP, no Golfo do México. 

O vazamento da Chevron foi inferior a 0,1 por cento do derramamento maciço da BP, e o petróleo não chegou à costa, aumentando a preocupação da Chevron e outros de que as acusações podem ser injustas ou ter motivos políticos. 
Derramamentos muito maiores e mais prejudiciais da Petrobras, que detém 30 por cento do campo de Frade, operado pela Chevron, onde o vazamento aconteceu, não levaram a acusações criminais contra a Petrobras ou seus executivos. Fonte: IG

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