terça-feira, 5 de abril de 2011

FREQUENCIA DE TERREMOTOS É INCOMUM, ADVERTE SISMÓLOGO CHILENO

Santiago de Chile - O reconhecido sismólogo chileno Sergio Barrientos alertou hoje aqui sobre a concentração de terremotos de excepcional magnitude em tão curto período de tempo, o que qualificou de incomum e algo que requer uma nova linha de estudos.

Barrientos fez referência ao forte terremoto de dezembro de 2004 em Sumatra, que atingiu os 9,2 graus de intensidade na escala Richter; ao do Chile, em fevereiro de 2010, com 8,8 graus e ao do Japão, da sexta-feira passada, de 9,0 graus, ocorridos todos em menos de um decênio.

Comentou que movimentos telúricos dessa natureza deveriam ocorrer a cada 25 ou 30 anos e não concentrados em pouco mais de seis ou sete anos.

Dá a impressão de que vieram agrupados. (…) Isso tem que ser estudado, destacou o diretor do Serviço Sismológico da Universidade do Chile em entrevista à rádio local.

Explicou que no caso dos três cataclismos mencionados se produz uma habitual deslocação e recolocação de placas, o que na sismologia é conhecido como subducção.

Considerou, por fim, que a inesperada sequência de tremores dará necessariamente origem a uma nova linha de estudos no tema sísmico.

O maior terremoto até o momento registrou-se no Chile em 1960, com uma magnitude de 9,5 graus na escala Richter.
rc/tpa/es

Mato Grosso pode sofrer tremor de grande intensidade
Falha geológica no norte do Estado tem provocado abalos sísmicos constantes nos últimos anos. Mato Grosso corre o risco de enfrentar um tremor de terra de intensidade suficiente para causar estragos em cidades da região norte do Estado. É o que afirma o chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Vieira Barros, especialista no estudo de tremores no Brasil.

Na região da cidade de Porto dos Gaúchos (644 quilômetros de Cuiabá) há uma falha geológica onde abalos sísmicos vêm ocorrendo com frequência nos últimos anos. Apenas no ano passado, dos 42 tremores de terra registrados no Brasil, 20 foram em Mato Grosso. Todos naquela região.

Lucas Vieira Barros é doutor em sismologia e a tese de doutorado dele foi justamente sobre a zona sísmica em Porto dos Gaúchos, que registrou o maior terremoto já observado na história do Brasil.

No dia 31 de janeiro de 1955, um abalo de magnitude 6,2 foi registrado na região de Porto dos Gaúchos. E desde 1959, explica Lucas Barros, em uma área 100 quilômetros a nordeste da Serra do Tombador, vem sendo observada uma sismicidade recorrente.

“Tanto a Serra do Tombador quanto Porto dos Gaúchos estão localizados na Bacia Fanerozóica dos Parecis, cujos sedimentos recobrem o embasamento cristalino do Cráton Amazônico. Dois sismos de magnitude 5 ocorreram em Porto dos Gaúchos, em 1998 e 2005, com intensidades VI e V, respectivamente. Esses dois choques principais foram seguidos de sequências que duraram mais de quatro anos cada”, observa o professor, ressaltando que esses abalos foram estudados por meio de equipamentos instalados pelo Observatório Sismológico naquela região.

Novos tremores

Os abalos que ocorrem na região central do país, apesar de menos intensos e frequentes do que aqueles que acontecem nos limites das placas tectônicas, podem oferecer um grande risco devido à baixa atenuação das ondas sísmicas e à dificuldade de se mapear e dimensionar suas fontes.

No Brasil, apenas dois terremotos registrados tiveram magnitude maior que 6. Um deles aconteceu na costa do Espírito Santo, em 1955, e chegou a 6,1 graus. O de Porto dos Gaúchos, em Mato Grosso, no mesmo ano, chegou a 6,2.

O doutor em sismologia afirma que aquela região no norte de Mato Grosso é propensa à ocorrência de novos tremores devido à falha geológica ali existente. Segundo ele, novos abalos sísmicos podem ocorrer a qualquer momento e assustar moradores das cidades próximas.

“Em 2000 teve um sismo, em 2008 teve outro e a terra nunca mais parou de tremer. Discuto a questão dos efeitos de possíveis terremotos de magnitude 6,2 a 6,5 em Porto dos Gaúchos”, disse Lucas Barros.

O especialista avisa que não há motivos para a população temer, mas que é necessário estar em alerta. “Não precisamos alarmar as pessoas que moram em Mato Grosso, mas não temos o direito de esconder informação”. Um abalo de magnitude 6,2 a 6,5 poderia ser sentido com intensidade em grandes cidades da região norte como Sorriso e Sinop.

Estação sismológica

Com a comprovação da grande frequência de abalos no norte de Mato Grosso, o Observatório Sismológico da UnB instalou uma estação sismológica em Porto dos Gaúchos.

No entanto, o equipamento – que custo cerca de R$ 80 mil quando instalado, em 2005 – está desativado. Lucas Barros não sabe o motivo preciso da interrupção de funcionamento da estação. Uma equipe da UnB deve vir a Mato Grosso em abril para verificar o problema e reativar a estação.

O chefe do Observatório pretende entrar em contato com a Defesa Civil estadual para fazer uma parceria com o governo do Estado na tentativa de contratar uma pessoa para cuidar da estação mato-grossense.

Ele avalia que a estação pode estar funcionando parcialmente, coletando os dados dos abalos sísmicos, mas com algum problema no link com o satélite, necessário para enviar as informações para o Obsis em Brasília.

Lucas Barros explica que a estação sismológica instalada em Mato Grosso tem condições de monitorar os sismos não apenas na região de Porto dos Gaúchos ou no Brasil, mas em todo o mundo.

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