quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

IRMANDADE MUÇULMANA SEGUE EXIGINDO A RENUNCIA DE MUBARAK

Cairo - Egito
O porta-voz do grupo Irmandade Muçulmana, Walid Shalabi, por exemplo, já declarou que espera um “governo que tenha interesse em lançar as liberdades públicas, que resolva o problema do desemprego e que não trabalhe em benefício de um só grupo”.

O líder opositor e prêmio Nobel da Paz, Mohamed El Baradei, afirmou, por sua vez, em entrevista à rede France 24, que Mubarak “deve ir embora” e que os protestos “irão continuar com ainda mais intensidade até que o regime de Mubarak caia”.

El Baradei tem apoio das classes mais altas e intelectualizadas e já anunciou sua disposição em assumir um eventual governo provisório, caso Mubarak seja derrubado. Já a Irmandade Muçulmana é um grupo fundamentalista islâmico, ligado ao Hamas palestino, foi posto na clandestinidade por Mubarak, sob pressão do Ocidente e defende a adoção de leis religiosas no Egito, baseadas na sharia (código islâmico, baseado no Corão).

O grupo Irmandade Muçulmana do Egito insistiu nesta quarta-feira em pedir a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak, e avaliou que chega tarde o anúncio de que não buscará sua reeleição no pleito de setembro.

"Está claro que o presidente Mubarak ignora os pedidos do povo e da Irmandade com as outras forças opositoras", assegurou à Agência Efe Gamal Nasser, um porta-voz do grupo opositor.

Mubarak, de 82 anos, anunciou na noite de terça-feira pela primeira vez seus planos com relação ao próximo pleito, em discurso que foi transmitido pela emissora pública de TV, no final de uma jornada de protestos em massa contra seu regime, que começou em 1981.

O governante disse que, "à margem das atuais circunstâncias", não tinha intenção de apresentar-se como candidato presidencial na próxima eleição e afirmou que adotaria uma série de passos para preparar "uma transição em paz".

"Por que Mubarak não disse isso antes?", questionou Nasser, antes de avaliar que o presidente é "muito obstinado" por não entender a mensagem das ruas.

Segundo o porta-voz, a Irmandade Muçulmana seguirá participando das manifestações que se desenvolvem desde 25 de janeiro contra o regime de Mubarak e permanecerá nas ruas até que o atual líder deixe o poder.

"É normal que os protestos continuem até que o presidente se vá, porque este é o primeiro pedido", acrescentou, antes de expressar a confiança em que "este período não vai durar muito".

Nasser se referia ao fechamento dos bancos, suspensão da maioria das atividades trabalhistas, interrupção da internet e atos de pilhagem que ocorreram nos últimos dias.

O porta-voz acrescentou que a coordenação entre a Irmandade e os diferentes grupos opositores continua para iniciar um diálogo com o Exército, único órgão no qual confiam.

Além disso, reiterou o plano anunciado na terça-feira pelo grupo para preparar o Egito pós-Mubarak: o presidente do Tribunal Constitucional, Farouk Sultan, deveria substituir o presidente após sua eventual renúncia.

Depois disto, seriam realizadas eleições parlamentares transparentes e se reformaria a Constituição, antes da convocação do pleito presidencial.

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