quinta-feira, 11 de novembro de 2010

BRASIL. O PODER ALICERÇADO NA IGNORÂNCIA NACIONAL

Por Giuseppe Tropi Somma

Nossos políticos estão levando o Brasil a um voo cego para o caos da ingovernabilidade. Pela lógica matemática, não tenho dúvida disso. É questão de tempo, não mais do que 15 anos, e estaremos provando ao mundo que não somos suficientemente civilizados para vivermos uma democracia. Democracia é coisa para povo autodisciplinado, com cultura, capaz de gerar candidatos inteligentes e honestos. Daqueles candidatos que quando percebem de ter imaculada a própria honra e decepcionado seu eleitorado, simplesmente preferem dar um tiro na testa, pois têm vergonha na cara! Democracia deve ser alimentada por votos inteligentes, em que o eleitor sabe distinguir o que é realmente bom para a sociedade e o que não é.

Certamente não é o que acontece na nossa democracia. Nesse país temos 99% da classe política composta de aventureiros, sem coragem de enfrentar a luta do nosso dia a dia para vencer na vida; então optam para a farsa da vida pública, na qual o cinismo substitui o pudor da verdade. E, logicamente, para que este cenário prevaleça, o voto não pode ser inteligente. Deve ser o voto inconsciente e irresponsável do ingênuo analfabeto. Ele deve decidir quem vai governar este país e como vai governar; ele é a ferramenta para que a demagogia se perpetue no poder, ferramenta esta criada a pretexto da “igualdade de direitos”. Isso é como pedir ao analfabeto, na função de contratante, que assine (se soubesse assinar) um contrato sem saber ler, apenas por ter ouvido a sua leitura “distorcida” pelo contratado. Então, me desculpem, mas temos bandidagem num lado e ignorância no outro. Um procurando preservar o outro. E como resultado temos um governo cada vez mais pesado, a cada sucessão que acontece. Sim, lembram-se de que eles fugiram da nossa luta diária? Pois é, na vida é assim: quem não sabe ganhar... só sabe gastar! E com isso a máquina pública se torna cada vez mais insustentável, inchada, até que um dia irá estourar..., porque o contribuinte não é máquina de fazer dinheiro. A fome do leão é muito maior que a caça disponível. Para alimentar suas
credibilidades junto a este eleitorado cativo, Legislativo e Executivo só fazem leis que nos empobrecem. Estão provocando o fechamento de todas as indústrias e empresas formais. Estão escravizando a sociedade num regime feudal e corporativista. Dividiram a nossa sociedade e três partes: de um lado o Corporativismo da máquina governamental; do outro, uma classe massacrada pelos impostos, com sua classe média
empobrecendo dia após dia; e por fim a classe dos miseráveis, cooptada com bolsa família e outros tipos de bolsas, que, por ser maioria, é usada como alicerce e sustentação do governo. De um lado é só festa com o dinheiro do povo, que é sempre insuficiente (porque o número de saqueadores aumenta mais que a pilhagem), do outro é pura guerra social, com roubos e assaltos tão generalizados que nem impressionam mais, tampouco se perde tempo em denunciá-los. O meu desgosto é quando ouço um ingênuo e inconsciente falar: “Este governo deu isto e deu aquilo...” Governo não dá nada! Governo só tira! Quem dá é o contribuinte, que ingênuo e inconsciente paga os impostos embutidos nos preços das suas compras (sempre pensando que, por ser pobre, não está pagando impostos). Com tais bolsas, o que o Governo faz é desviar dinheiro público para fins privados, que é a busca de votos. Coisas que a magistratura, se não fosse subserviente, deveria coibir. Chega de dar máscara social a fins ilícitos. Estão empurrando nossa sociedade para uma vagabundagem de cultura.

Temos um exemplo vastamente denunciado em que o Sinditêxtil do Ceará, atendendo ao apelo da indústria local, em parceria com o Governo e o Senai, promoveu um curso técnico de 120 horas/aula para 500 donas de casa, a maioria em curso de costureiras, com emprego pré-garantido. O governo fez uma imposição: todas teriam que ser recebedoras do Bolsa Família. Pois bem. Terminado o curso, sabem quantas aceitaram o emprego? Nenhuma. Isso mesmo, nenhuma! Todas querem continuar com o Bolsa Família, aceitando trabalhar só se for sem carteira assinada; isto é, na informalidade, porque não querem renunciar ao seu “fica em casa, família”.

Na verdade, tantos benefícios, que os nossos políticos chamam de “conquistas sociais”, que só servem para adoçar a boca do eleitorado inconsciente; estão deteriorando nossa sociedade. Esses mesmos eleitores, olhando o mau exemplo que vêm de cima, preferem trilhar o caminho da ilegalidade, do ócio, das drogas e do crime. O que podemos esperar dos filhos dessa gente? E quando o nosso querido presidente diz que a vida do brasileiro em seu governo melhorou muito, eu diria: “teria sido por causa dos impostos baixos? Da gasolina barata? Da boa educação? Da boa saúde? Da segurança? Isto é, dos atos do governo? Não! Temos de agradecer aos chineses que invadiram o mundo com seus produtos a preços ridículos e que, além de proporcionar satisfação material aos mais humildes, serviram para reprimir os preços (e a inflação) em geral”. Foram eles também que geraram a maioria de nossas reservas cambiais, com uma sede inesgotável por nossos commodities, agrícolas e minerais. Bolsa Família, num país com tanto trabalho e tanta terra para cultivar, se não fosse a finalidade eleitoreira, seria como dar droga a um viciado, apenas para acalmar sua rebeldia.  *Reprodução liberada*

GIUSEPPE TROPI SOMMA é empresário e presidenteda ABRAMACO.
giuseppe@cavemac.com.br

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