quinta-feira, 28 de outubro de 2010

LIVRO EXPLICA A EXPULSÃO DOS JUDEUS NAS TERRAS DO ISLÃ

Nas duas décadas após o estabelecimento do Estado de Israel, cerca de 850.000 judeus foram violentamente expulsos de terras árabes.
Estas expulsões marcaram o começo do fim de 2.500 anos de vida judaica no norte da África, no Médio Oriente e no Golfo Pérsico. Até recentemente, estes fatos e sua história não tem sido reconhecidos e permanecem sem nenhuma divulgação nos países de língua inglesa. E essa é a tarefa empreendida pelo historiador britânico Martin Gilbert, conhecido por sua biografia de vários volumes de Winston Churchill e muitos trabalhos sobre a história judaica, agora através do seu novo livro: ‘In Ishmael’s House: A History of Jews in Muslim Lands (Na Casa de Ismael: Uma História dos Judeus em Terras Muçulmanas – em tradução livre).
Pleno de detalhes, Gilbert começa a sua saga um milênio antes do nascimento de Maomé no final do século VI da era cristã, e nas suas primeiros 100 páginas cobre os primeiros séculos do Islã, o período das Cruzadas e à difusão do Império Otomano. Os restantes dois terços do livro são dedicados aos últimos 100 anos, quando ele descreve os movimentos nacionais judaicos e árabes durante as Primeira e Segunda Guerras Mundiais, as diferentes reações à resolução da partilha da ONU em 1947 e da criação do Estado de Israel, a vida judaica em terras muçulmanas a partir de 1948, e a integração dos judeus provenientes de terras muçulmanas para os países ocidentais e, é claro, para Israel. O que salva a narrativa de Gilbert de uma superficialidade mortal, se não da monotonia, é o seu acentuado foco. Por toda a sua obra ele coloca uma questão fundamental: a minoria judaica foi protegida, ou perseguida? Quando os governantes muçulmanos trataram os seus judeus como um "povo protegido" os judeus, ele demonstra, em retribuição contribuíram imensamente para a cultura muçulmana e para a sociedade em geral. Quando os judeus foram perseguidos, não só os judeus, mas toda a sociedade em que viviam também sofreu. Ao proceder desta forma, Gilbert consegue explodir o mito, fabricado por ideólogos islâmicos e difundido por apologistas da esquerda, no sentido de que os judeus pré-modernos sempre viveram em harmonia com os seus anfitriões muçulmanos. Às vezes isto aconteceu, mas na maioria das vezes não foi.
Outra virtude do tratamento panorâmico de Gilbert é que ele ajuda o leitor a perceber padrões repetitivos que não são assinalados em outros estudos sobre o assunto. Considere o caso muito comentado de Haj Amin al-Husseini, uma das figuras mais venenosas que surgiu no século 20 de uma grande quantidade de criminosos, gangsteres, déspotas e tiranos. Desde o início da sua carreira, este "Grande Mufti de Jerusalém" esteve sempre intimamente associado com a radical Irmandade Muçulmana. Em 1929 ele orquestrou o pogrom árabe-muçulmano contra uma antiga comunidade judaica de Hebron que foi massacrada. Em 1937 se mudou para Bagdá onde ajudou a atiçar as paixões que, em última análise resultou num pogrom anti-judaico de dois dias. Quando estava no Iraque ele também iniciou contatos com a Alemanha nazista, e em 1941, já morando em Berlim, ele criou uma divisão muçulmana das SS para instigarem a guerra de Hitler na Bósnia.

A visão panorâmica de Gilbert da carreira de Husseini resulta numa série de perguntas. Uma tem a ver com o surgimento relativamente recente do grupo terrorista Hamas na cena política palestina. O Hamas é um ramo da mesma Irmandade Muçulmana a que Husseini pertencia, e vale a pena recordar que, durante as décadas de 20 e 30, a oposição palestina ao sionismo era de fato profundamente islâmica no seu caráter. A partir desta perspectiva mais ampla, a ascensão do Hamas possa ser mais corretamente vista como um ressurgimento, e a dominância anterior do movimento palestino pela OLP, outra organização extremista, mas de natureza nacionalista secular, foi somente um intervalo de um modo contínuo essencialmente islâmico?

Outra questão se refere especificamente ao Iraque. Gilbert descreve o quão profundamente a ideologia nazista tinha penetrado na sociedade iraquiana de 1930, mesmo antes da chegada de Haj Amin al-Husseini. O anti-semitismo estilo nazista do Mufti só foi acrescentado à receita. Logo após a Segunda Guerra Mundial o Iraque era conhecido pela brutalidade do Estado, e não podemos deixar de pensar sobre a contribuição nazista para esta brutalidade. Em um caso particularmente grotesco em 1969 - dez anos antes que Saddam fundasse o seu sádico regime, nove judeus iraquianos foram enforcados sob falsas acusações, quando foi declarado feriado nacional e um milhão de pessoas foi ver os corpos, e como Gilbert escreve: "dançavam, cantavam, e até mesmo faziam piquenique". Como pode se explicar esse tipo de barbárie por uma massa frenética, sem paralelo no resto do mundo árabe-islâmico? Gilbert assinala que mesmo o governo egípcio, um ardente inimigo de Israel, se sentiu obrigado a protestar. www.owurman.com/blog

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