domingo, 15 de agosto de 2010

IRÃ ADIA CONFIRMAÇÃO DA SENTENÇA DE SAKINEH

Sakineh Mohammadi Ashtiani
Graça Magalhães-Ruether, O Globo

Não saiu neste sábado a decisão da Suprema Corte sobre a confirmação da sentença de Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por adultério.

O novo advogado de Sakineh, Hotan Kian, confirmou o adiamento pouco depois de um encontro com representantes da Justiça em Teerã, que estaria tentando ganhar tempo até o anúncio de uma decisão superior a respeito da execução.

Kian informou que a Justiça exigiu os documentos originais de uma queixa que Sakineh apresentou às autoridades antes da morte do marido.

Na ação, na vara de família de Tabriz, Sakineh teria afirmado que não conseguia mais "viver com este homem".

Kian disse que a corte já tinha o documento, "mas o pediu de novo, para ganhar tempo". No próximo sábado, ele deverá comparecer novamente à Suprema Corte, em Teerã, à espera de uma resposta sobre o destino de sua cliente.

Diretora do Comitê Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento, a médica Mina Ahadi, ativista de direitos humanos que vive na Alemanha desde o início dos anos 90, resume numa frase os motivos para as dúvidas do advogado:

As mulheres no Irã não têm o direito de pedir divórcio.

Kian assumiu a defesa depois que Mohammad Mostafael, o primeiro advogado da ré, fugiu para Europa, dizendo ter sido intimidado por representantes da Justiça.

No encontro deste sábado, porém, o clima foi cordial, segundo Kian. Ele disse que pela primeira vez não ouviu acusações nem ofensas contra a sua cliente.

O advogado afirma que a confissão de adultério e participação no assassinato do marido feita por Sakineh na última quarta-feira foi obtida sob tortura.

Sexta-feira à tarde, Saijad, de 22 anos; e Saide, de 17 anos, filhos de Sakineh, tiveram mais uma vez a permissão para visitar a mãe.

Depois, o jovem telefonou para Mina Ahadi e contou que a mãe está sob forte pressão e mal conseguia falar.

Como antes, a pena pode ser cumprida dentro de uma semana  advertiu Mina.

Para ela, as declarações do embaixador do Irã em Brasília, negando que o governo brasileiro tenha oferecido asilo político para a iraniana, comprovam a arbitrariedade do regime islâmico do seu país. Nesta sexta-feira, o embaixador do Brasil em Teerã desmentiu o colega iraniano.

O governo brasileiro agora sabe com quem negociou em Teerã, com um governo que mente sobre qualquer coisa, que manda apedrejar e executar inocentes, que faz o que quer sem levar em consideração o que disse antes - acusou.

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