quarta-feira, 26 de maio de 2010

TERREMOTO DE 6,5 GRAUS ATINGE O ACRE

Forte Terremoto de 6,5 graus, atinge o Acre, só não foi catastrófico pois o epicentro foi muito fundo.
Um forte terremoto de magnitude 6,5 atingiu o Acre nesta segunda-feira (24) 2010, segundo o Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA.

O tremor correu às 11h18 locais (13h18 de Brasília), a uma profundidade de 580,5 km, de acordo com a agência americana.

O epicentro localizou-se próximo à fronteira com o Peru, e a 127 km a leste-sudeste da cidade de Cruzeiro do Sul.

O técnico em sismologia Jose Roberto Barbosa, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), explicou ao G1 que terremotos são comuns na região. “Ali acontece o encontro das placas de Nazca e da Sul-Americana. São muito comuns terremotos de magnitude elevada, mas de foco muito profundo, como o que aconteceu hoje”, afirma.

De acordo com o técnico, por causa da profundidade do epicentro do tremor, que ocorreu a mais de 580 quilômetros, dificilmente moradores de cidades próximas sentiram o abalo. “Algumas ondas até podem ter sido percebidas em Cruzeiro do Sul e Regente Feijó, mas geralmente elas chegam à superfície bem fracas. Nem sempre o terremoto é sentido, mesmo com essa magnitude”, diz.

Segundo Barbosa, se os abalos acontecessem em uma profundidade menor, certamente seriam sentidos. “Por exemplo, se esse terremoto tivesse acontecido a 200 quilômetros de profundidade, seria notado e assustaria muito as pessoas de cidades próximas.”

O professor Joaquim Ferreira, coordenador do departamento de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também explica que o tremor foi causado pela movimentação de placas tectônicas. “A placa Nazca está se movimentando e entrando embaixo da placa da América do Sul”, disse ao G1.

O comandante do batalhão dos bombeiros de Cruzeiro do Sul, major Moisés Antônio Silva, disse ao G1 que não houve solicitação de socorro na unidade. “Nós não percebemos nada e já entrei em contato com pessoas que estavam em outros pontos da cidade. Ninguém relatou danos”, afirmou.

Segundo o Barbosa, como o tremor principal não foi sentido, as pessoas dificilmente perceberão a ocorrência de abalos secundários, que geralmente possuem magnitudes menores.

Apesar de atingir 6,5 pontos de magnitude, o tremor que ocorreu no Acre nesta segunda-feira (24) foi muito profundo para causar estragos, afirma o sismólogo da Universidade de Brasília (Unb) João Corrêa Rosa. O abalo sísmico aconteceu a 580,5 km de profundidade e, segundo o especialista, quanto mais fundo o epicentro do terremoto, menos problemas ele causa. “Ocorre um amortecimento, um espalhamento das ondas [sísmicas] antes de elas chegarem à superfície.”

O sismólogo explica que a situação no Acre é muito diferente do terremoto que abalou o Haiti no início do ano. Lá, o abalo atingiu 7 pontos de magnitude mas ocorreu a apenas 10 km de profundidade, além de estar muito próximo à capital do país.

Bolas vermelhas mostram os terremotos que ocorreram no Acre e regiões vizinhas nos últimos 20 anos. A estrela representa o abalo sísmico desta segunda-feira (24). Tremores fazem parte do fenômeno que forma a Cordilheira dos Andes. (Foto: USGS/Reprodução)

Segundo Rosa, os terremotos no Acre fazem parte do fenômeno geológico que forma a Cordilheira dos Andes. O estado fica sobre a placa tectônica da América do Sul, mas embaixo dele está a ponta da placa de Nazca, que vem do Oceano Pacífico e está entrando sob a América do Sul.

“Sismos nessa região são comuns. Não é difícil ocorrer abalos a dessa magnitude perto [da cidade] de Cruzeiro do Sul.”, diz.

De acordo com o sismólogo, um terremoto da magnitude do que ocorreu no Acre seria sentido pela população se acontecesse no máximo a cerca de 50 km de profundidade. Um fenômeno assim, contudo, é muito raro, pois na região o “esfrega-esfrega” entre as placas tectônicas ocorre a centenas de quilômetros abaixo do solo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário