quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ESTADOS UNIDOS OCUPAM O HAITI NOVAMENTE

O Haiti tem uma história prolongada de intervenção militar e ocupação pelos EUA que remonta ao princípio do século XX. O intervencionismo estado-unidense contribuiu para a destruição da economia nacional do Haiti e para o empobrecimento da sua população.

O terremoto devastador é apresentado à opinião pública mundial como a causa única da situação do país.
Um país que foi destruído, cuja infraestrutura foi demolida. O seu povo precipitado na pobreza abissal e no desespero.
Na história do Haiti, o seu passado colonial foi apagado.
Os militares estado-unidenses vieram em resgate de um país empobrecido. Qual é o seu mandato?
Trata-se de uma operação humanitária ou de uma invasão? Eles já estão controlando todas as atividades operacionais de vôo no pais dentre outras. Enquanto todos os paises do mundo pensam em ajuda humanitária, eles pensam em ocupação militar de olho no Caribe e América do Sul.



























Agenda oculta

A missão não mencionada do US Southern Command (USSOUTHCOM) com sede em Miami e das instalações militares dos EUA através da América Latina é assegurar a manutenção de regimes nacionais subservientes, nomeadamente governos títeres dos EUA, comprometido com o Consenso de Washington e com a agenda política neoliberal. Enquanto o pessoal militar dos EUA será a princípio ativamente envolvido em ações de emergência e amenização do desastre, esta renovada presença militar dos EUA no Haiti será utilizada para estabelecer uma cabeça de ponte no país bem como prosseguir os objectivos estratégicos e geopolíticos da América na bacia do Caribe, os quais são em grande medida dirigidos contra Cuba e a Venezuela.
O objetivo não é atuar para a reabilitação do governo nacional, a presidência, o parlamento, os quais foram dizimados pelo terremoto. Desde a queda da ditadura Duvalier, a concepção da América tem sido desmantelar gradualmente o Estado haitiano, restaurar padrões coloniais e obstruir o funcionamento de um governo democrático. No contexto atual, o objetivo é não só abolir o governo como também relançar o mandato da United Nations Stabilization Mission in Haiti (MINUSTAH), cuja sede foi destruída.

Intervenções militares recentes dos EUA no Haiti

Houve várias intervenções militares patrocinadas pelos EUA na história recente. Em 1994, a seguir a três anos de domínio militar, uma força de 20 mil tropas de ocupação e de “manutenção da paz” foi enviada ao Haiti. A intervenção militar estado-unidense de 1994 “não se destinava a restaurar a democracia”. Muito pelo contrário: foi executada para impedir uma insurreição militar contra a Junta militar e as suas coortes neoliberais”. (Michel Chossudovsky, The Destabilization of Haiti, Global Research, February 29, 2004 )
As tropas dos EUA e dos seus aliados permaneceram no país até 1999. As forças armadas haitianas foram desmanteladas e o Departamento de Estado dos EUA contratou uma companhia de mercenários, a DynCorp, para proporcionar “conselho técnico” na reestruturação da Polícia Nacional do Haiti. (Ibid).
A entrada de dezenas de milhares de tropas estado-unidenses fortemente armadas, complementadas por atividades da milícia local, poderia potencialmente precipitar o país no caos social.
Vinte mil tropas estrangeiras sob o comando do SOUTHCOM e do MINUSTAH estarão presentes no país.
O povo haitiano apresentou um alto grau de solidariedade, resiliência e compromisso social.
Ajudaram-se uns aos outros e atuaram com consciência: sob condições muito difíceis, equipes de resgate formadas por cidadãos constituíram-se espontaneamente.
A militarização de operações de ajuda romperá as capacidades organizacionais dos haitianos para reconstruir e restabelecer as instituições de governo civil que foram destruídas. Ela também comprometerá os esforços das equipes médicas internacionais e de organizações civis de ajuda.
É absolutamente essencial que o povo haitiano se oponha firmemente à presença de tropas estrangeiras, particularmente em operações de segurança pública.
É essencial que os americanos oponham-se firmemente à decisão da administração Obama de enviar tropas de combate para o Haiti.

Não pode haver qualquer reconstrução ou desenvolvimento reais sob a ocupação militar estrangeira.
Via: revelatti

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