terça-feira, 21 de abril de 2009

SERÁ QUE DEUS SENTE SAUDADES DOS DINOSSAUROS?



Raramente vi ou vejo alguém questionando a existência do homem.
Parece que é normal que haja o homem; e que um Universo sem homem seja um nada; e que tudo quanto tenha havido antes do homem não teve sentido; ou que tudo o que venha a existir depois dele — caso o homem aqui não esteja ou não mais seja — também exista sem significado.
Sim! Para o homem, até Deus sem o homem não tem sentido; posto que quem dê de fato — na visão mais honesta do homem — significado a Deus, seja o próprio homem.
Ora, se até Deus precisa se fazer Significativo em razão do homem, pois, entre Dinossauros a Existência Divina devia ser um porre — então, havia anjos; mas, na visão dos homens, os anjos eram uns seres de aplauso, umas criaturas de contemplação, um auditório universal, um Estádio lotado para ver a glória.
Os anjos seriam um solene a divinamente robótico cordão de puxa sacos eternos.
Assim, com o homem, com sua divina criação, Deus se torna adulto e ganha Sentido. Porém, sem homem, Deus é um desperdício.
É isto que os homens devotos sentem; e é isto, por exemplo, que o Cristianismo ensina, ainda que com bela a invertidas palavras, mas que transmitem este espírito por mim aqui descrito até aqui.
Então, como o Deus de Deus é mesmo o homem, surge a Teologia [a Filosofia, a Psicologia, e todas as Ciências vieram como decorrência]; sendo que durante os últimos 1700 anos a Teo-logia, o estudo de Deus, era quem tinha o Direito Canônico de dizer como Deus ficaria melhor frente às novas demandas dos tempos, conforme a necessidade humana, ou dos reis, ou dos políticos, ou, sobretudo, conforme a necessidade de mutação de Deus de acordo com o capricho ou a ganância da “igreja”.
Então, com tamanho poder humano, Deus vai sendo redefinido pelo homem.
Deus gosta de ritos, dizem os sacerdotes. Mas não existem anjos.
Deus gosta de disciplina e moral, mas detesta gente que não tome banho antes de dormir.
Deus ama quem socorre aos pobres, mas acha tolice ficar fazendo orações.
Deus só se revela a quem sabe ler, pois, afinal, a Bíblia é a escrita Palavra de Deus.
Deus sabe quem vai se salvar e quem vai se perder, por isso é que ele me fez nascer no Ocidente da Terra, pra não perder tempo.
Deus não vão perder tempo com tudo, por isto Ele deixa uns mortos de boa vontade vagando pelo mundo, para ajudar os que precisam.
Deus é poderoso demais para precisar de anjos, por isto, anjos não existem.
Deus não vai ser injusto comigo, que neguei todos os meus desejos e volúpias, no final salvando a todo o homem. Por mim o inferno tem que existir cheio dos outros que não fizeram como eu.
Se a gente for ver o que define a maioria das convicções das pessoas sobre Deus, o que sobrará é basicamente o seguinte:
Deus é a melhor conveniência do culto do homem a si mesmo, usando a idéia de Deus apenas para dar a si mesmo a segurança do Deus que, sem o homem e sem ser para o homem, não teria nenhum significado.
É um Deus quantificado...
Por isto a maioria diz com toda pureza que “crê muito em Deus”.
Ora, esse era o “Deus” que Nietzsche disse que morrera.
Mas, infelizmente não morreu ainda...
Aliás, esse Deus somente morrerá quando Jesus voltar.
Até lá, enquanto o homem se achar o Significador da Existência, Deus existirá como concessão do homem, que dá a Deus o poder de ser o Todo-Poderoso que era Quem era, mas que não tinha o que fazer antes de haver homem.
Assim, o homem é o Personal de Deus!

Nele, que chora e ri de nossa idiotice, segundo se vê em Jesus,

Caio

terça-feira, 7 de abril de 2009

A ORAÇÃO COMO MACUMBA CRISTÃ


“Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”.

Quem disse isto ou é o maior cara de pau do mundo, ou, então, diz o que diz por que pode bancar o que afirma.
Entretanto, para quem lê desavisadamente, parece que Jesus está prometendo o Baú dos Desejos feitos prece.
Todavia, não é assim.
Ele não manda que se peça o que se quer; mas sim que se deseje o que a Deus e de Deus se possa pedir.
Por isto Tiago diz:
“Pedis e nada tendes; pois, pedis mal, para esbanjardes nos vossos prazeres”.
João completamente afirmando:
“Pois sabemos que obtemos o que lhe pedimos, pois, é segundo a sua vontade que pedirmos”.
Isto nos é dito por que quase sempre as orações são preces do egoísmo, do hedonismo ou da dor irrefletida.
Pouca gente ora por prazer e amor; e com a alma cheia de gratidão em todas as coisas.
Isto porque o espírito da religião quase sempre faz a pessoa crer que haja uma contravenção prometida na oração.
Daí se ouvir pessoas, afirmando suas causas, dizerem: “A oração tem poder” — visto que lhes pareça que “orar” seja a macumba permitida pelo “Deus” que não é o diabo.
A crença é que “Jesus” seja uma espécie Grau 33 da Maçonaria Universal, e que os crentes sejam os fies cúmplices Dele na Grande Loja Cristã.
Na realidade se crê que a “Igreja” seja a Loja. Seja o lugar dos confrades de Deus. Seja o lugar/vínculo entre o Grande Mestre [Jesus] e os demais maçons de “igreja”; especialmente os pastores e sacerdotes oficiais.
No alto de tudo está o Grande Arquiteto do Universo dos Crentes: “Deus”.
Para outros menos sofisticados, quando pensam em orações respondidas segundo as suas vontades e desejos, e não segundo a vontade de Deus, a melhor imagem de oração como contravenção solidária é a Máfia.
Nesse caso “Jesus” é o Chefão, a “igreja” é a Família, e os crentes simples são os filhos dos “gangsters-sacerdotes”; que são os representantes dos interesses do Chefão e da Família.
Nesse caso Deus é “Deus” conforme “Deus” seja para a Máfia.
E creia: não existe máfia sem “Deus”.
Quase todo contraventor é profundamente religioso e supersticioso, assim como quase todo traficante é cheio de “crença” em “Deus”.
Sei o que falo. Passei três anos conversando com os principais traficantes do Brasil em Bangu I.
Uma vez “Celsinho da Vila Vintém”, que eu havia conseguido transferir de Bangu I para o presídio Milton Dias Moreira, desobedeceu ao acordo que tinha comigo — eu havia conseguido transferi-los com a condição de que não fugissem, ele e mais outros 11, entre eles “Gregório, o Gordo”, bem como o “Japonês”.
Pois bem, o “Celsinho” fugiu e voltou para a pobre Vila Vintém, no Rio.
Um mês depois ele havia matado dezenas...
Tocou terror geral...
As senhoras, as “tias” da favela, pediam a ele que não fizesse mais aquela vingança contra os que ele julgava que o haviam traído.
Ele disse que somente ouviria a mim...
Era o meio da Operação Rio, com o exercito nas ruas e nas favelas, e as Policias em estado de guerra — 1994.
Foi uma mirabolancia chegar até ele... De madrugada... Largado no escuro no meio de um terreno baldio no coração do nada, na Vila Vintém.
Ele pulou do alto de uma laje até onde eu estava!...
“Revendo, não me amaldiçoe. Me abençoe!” — foi logo pedindo, como se eu fosse um bruxo com poderes de matá-lo com uma palavra.
“Tô matando, mas é só malandro e traidor. Ponho o corpo no pneu e toco fogo mermo... Mas, pastor, a causa é justa... Ponha a mão na minha cabeça!...” — gritava ele, em pânico, temendo que eu dissesse que ele estava amaldiçoado.
No entanto, o que ele cria era que, como eu estivera com ele e outros 47, durante três anos, duas vezes na semana, e ajudara as famílias deles, e fizera com que direitos adquiridos fossem por eles ganhos — que isto me fazia cúmplice dele; e mais: que, por meu intermédio, Deus se faria sócio dele em orações e interesses.
Em geral é o mesmo espírito que encontro entre os crentes!
Como aceitaram a Jesus, se batizaram, dão o dízimo, cantam no coral ou nos grupos de louvor; aceitam as ordens pastorais; e vivem dentro do ambiente físico do templo — pensam que, por tal razão, sejam da Família, ou da Loja, ou da Confraria, ou do Bando de Jesus.
De fato “crente” acaba se convencendo que Jesus seja o líder do bando dos fieis aos cultos e no dízimo.
Ora, tais “pactos” feitos entre eles e “Deus” pela via da Loja, da Família ou da Gang, dão ao crente esse sentimento que, pela oração, Deus esteja disponível para a contravenção contra a vida; e até contra o que Ele mesmo chame Verdade.
Quando o espírito é esse, creia: toda oração respondida é respondida pelo diabo como deus dos espíritos existentes em ódio, amargura e vingança.
Ou seja:
Quem responde as orações da morte e do ódio é sempre aquele que vem para roubar, matar e destruir.
Assim, dependendo da oração que se faça se estará orando a Deus ou ao diabo.
O que determina uma oração não é seu ato, e nem tampouco se o nome “Jesus” é utilizado, e nem se o termo “Deus” aparece o tempo todo na prece, mas sim exclusivamente seu espírito e seu conteúdo.
Dependendo do conteúdo existencial de quem ora e dependendo do que se pede, a oração vai para Deus ou vai para o diabo — falando do modo mais infantil possível, pra ver se sou entendido.
O endereço da oração é determinado pelo que o homem tenha no coração, e não na boca.
A oração é sempre o desejo...
Se o desejo for bom e do bem, a oração será boa e para Deus.
Se desejo for mal e do mal, a oração é uma macumba feita com despacho.
Por isto, digo:
Não peça a Deus aquilo que é o diabo que gosta de atender!
Oração a Deus mesmo, saiba: somente acontece segundo a Sua Vontade.
O mais é macumba...

Nele,

Caio